www.sxc.hu |
![]() |
Em uma sociedade que valoriza a estética, a figura do vencedor e a aquisição de bens, ser diferente é comprar uma passagem para o sofrimento. Nunca, em nenhum outro tempo, o jovem foi tão pressionado pela busca incessante da perfeição; mas independentemente das questões estéticas, um problema maior e mais abrangente se propaga: a obesidade infantil.
A obesidade é um distúrbio que pode se tornar o principal problema do século 21 e a primeira causa de doenças crônicas do mundo, pois induz a várias anormalidades do metabolismo que contribuem para as doenças cardiovasculares, do colesterol, diabetes mellitus, entre outras.
Assim como no adulto, essa realidade está acometendo cada vez mais crianças e adolescentes e, no Brasil, cresceu 240% nos últimos 20 anos. São cerca de 6,7 milhões de crianças e adolescentes obesos no país, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
A incidência de obesidade mórbida, inclusive, está levando jovens à mesa de cirurgia em uma tentativa radical de emagrecer e regredir as complicações. Ainda não se conhece claramente a etiologia do excesso de peso, mas sabe-se que estão envolvidos múltiplos fatores complexos que alteram o balanço energético.
www.sxc.hu |
![]() |
Criança obesa, adulto obeso
A obesidade tende a persistir na vida adulta. Cerca de 50% das crianças obesas aos seis meses de idade e 80% das que já acusam o problema aos 5 anos permanecem com ele quando adultas. Ocorrendo mais nas raças hispânicas, afro-americanas e particularmente em meninas, a obesidade não é decorrente necessariamente da ingestão de grande quantidade de comida, mas tem uma relação direta com o alto valor calórico do que é consumido.
www.sxc.hu |
![]() |
Cada item do cardápio foi provado pelo menos uma vez e ele teve que aceitar todos os sanduíches oferecidos na porção super size (onde o número de calorias sobe assustadoramente). Além disso, ele reduziu de forma drástica sua atividade física até chegar à média nacional. Ao final do mês, estava com 11 quilos a mais, com o colesterol disparado, depósito de gordura no fígado em quantidade próxima a de um alcoólatra, dores de cabeça, mau humor e exaustão. É só reverter esses dados para um corpo muito menor e imaginar como seriam esses efeitos em uma criança!
www.morguefile.com |
![]() |
Outra pesquisa realizada pela Universidade de Medicina e Odontologia de Nova Jersey com 17 mil adolescentes de 13 a 18 anos mostrou que obesos têm menos amigos que os demais adolescentes de mesma idade. A explicação para isso estaria no isolamento social que eles sentem quando comparados aos magros e à conseqüente criação de uma auto-imagem desfavorável - o que, por motivos óbvios, os levam a ficar ainda mais sedentários.
www.morguefile.com |
![]() |
O posicionamento assertivo oferece novas formas de expressão de sentimentos que, outrora, iam para a comida. No entanto, como as atitudes no estilo "8 ou 80" são mais fáceis (ou engole a raiva ou explode) é ideal encontrar uma manifestação mais adequada e equilibrada para se expressar. O grande problema é que, freqüentemente, os pais não sabem como ajudar e não existem muitas opções terapêuticas disponíveis para isso. Há poucos programas elaborados especialmente para pequenos obesos, poucos profissionais experientes nesse tipo de tratamento e o uso de medicamentos ainda é muito limitado.
Aqui estão algumas dicas para orientar seus filhos: | ||||||
2) Fixe os horários das refeições, pois a prática ensina disciplina às crianças e evita o consumo de lanches e guloseimas fora de hora: o ideal são seis refeições diárias e evitar as beliscadas fora desses horários. 3) Não imponha dietas restritivas, principalmente nas crianças menores. Em fase de crescimento, o caminho é a reeducação alimentar: comer de tudo um pouco (alimentos saudáveis) e em quantidades adequadas. 4) Ignore o velho hábito de fazer o filho raspar o prato. Isso costuma provocar a perda da saciedade na criança, ou seja, ela deixa de ter o próprio limite de saturação. 5) Evite muitas brincadeiras na mesa: hora de comer é hora de seriedade, não de fazer "aviãozinho". Muito mimo é sinônimo de muita manha. 6) Não ceda ao primeiro "não gosto disso": a criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser, mas experimentar não custa nada. 7) Não substitua refeições (como dar a mamadeira quando a criança não quiser o arroz com feijão). Esse erro é muito comum e se a criança conseguir uma vez, vai repetir essa estratégia sempre. 8) Não faça da comida uma forma de recompensa ou moeda de troca. Exemplo: oferecer um sorvete se o filho se sair bem na escola ou comer toda a salada - "coma toda a sopa para ganhar a sobremesa". Isso passa a idéia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo. 9) Não ameace com castigos o não-cumprimento do combinado: "Se não comer a salada, não vai ganhar presente". Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente das saladas. 10) Não subestime o poder de compreensão dos pequenos. Negar uma guloseima pode virar um "drama" para eles, mas só no início. A criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Mesmo os adolescentes devem ser incentivados a ter situações em que podem comer com maior liberdade. 11) Evite tornar a ida a uma lanchonete um "programão": a comida de casa fica meio sem graça desse jeito. 12) Não sirva sempre a mesma comida: se a criança só toma iogurte, vai enjoar e vão faltar nutrientes e fibras.
14) Incentive seus filhos a praticarem esportes ou atividades físicas. Dê preferência principalmente às modalidades individuais no início, porque evitam alguns constrangimentos, como gozações e piadinhas dos colegas, além da pressão para um bom desempenho. 15) Procure, conforme a disponibilidade, ajuda de profissionais multidisciplinares, como médicos, nutricionistas, psicólogos e orientadores de atividades físicas. 16) Toda a família deve apoiar e auxiliar no tratamento da obesidade infantil, evitando insistir no preparo de alimentos inadequados e não ridicularizando suas atitudes e esforços. 17) Dê o exemplo: as crianças e, muitas vezes, ainda os adolescentes seguem os exemplos e os hábitos dos pais. Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes. Orientar dietas e atitudes saudáveis e fazer diferente disso não ajuda em nada.
|
Aos pais, que sirvam de bons exemplos para os filhos! Esta é uma herança que não depende da sociedade, mas do equilíbrio e do bom-senso. Que a família assuma seu papel de grande educadora em meio propício ao desenvolvimento da mente, da moral e do corpo saudáveis.
Gostou do assunto? Acesse o site BR Chef!
Atualizado em 6 Set 2011.